Opinião – E se Bonsucesso fosse nosso?

Enquanto só aumenta o número de crimes em Bonsucesso, outros bairros da cidade recebem policiamento reforçado. Dados como esses podem parecer simples estatísticas, mas escondem o lado perverso das cidades produtos de exportação.

PorPatrick Barbosa MAR. 14, 2016

Mais do que uma cidade negócio. Mais do que uma cidade commodity. Mais do que uma cidade arquipélago. Essa foi a ideia central da aula pública que aconteceu na última sexta-feira (11), nas escadas da Câmara dos Vereadores.

O discurso sai da utopia quando lembramos dos grandes eventos que acontecem na nossa cidade. De algum modo, uma pequena parte da nossa cultura atrai quem está lá fora. E por incrível que pareça, tem muita gente ganhando dinheiro com isso.

Mas é claro, só entra na festa quem tem nome na lista. E essa lista já foi delatada na Lava Jato. Mas, parece que o MPF está mais preocupado com um pedalinho em Monte Alegre. Sorte a deles. E sorte também do Maluf, que no Brasil não entra a Interpol.

Enquanto isso, uma facção piora ainda mais o caos nas periferias do Rio de Janeiro: o PMDB, que, não satisfeito, quer eleger um agressor de mulher. A questão do Rio de Janeiro já saiu da esfera ideológica. Falta bom senso. Um governo que não paga seus professores não faz política nos princípios da razão.

Pagamos altos impostos para construir obras de mobilidade. Pagamos altas tarifas para ter acesso à mobilidade. Pagamos a alta conta das isenções fiscais que o governo oferece às empreiteiras. Pagamos a corrupção, o atraso das obras e o superfaturamento. A agressão moral é tanta que o governo da Suíça presta contas aos brasileiros.

Mas fazer o que, escolas são apenas amontoados de tijolos a serem filmados nas propagandas políticas. E isso faz com que a escola desacredite da sua função de interferir na sociedade. O fato é que uma cidade integrada atrapalha os negócios.

E os negócios vão bem, obrigado. O faturamento das construtoras é assustador até na crise. Você já cansou de ler aqui quantas lojas fecharam. Talvez porque não se corromperam com esse governo.

Eles não estão interessados em melhorar o subúrbio. Não é pelas pessoas. Não é pela generosidade que eles escolhem um político – não confie em ninguém com mais de trinta ternos.

E se Bonsucesso fosse nosso, não bastaria pensar só em Bonsucesso. Muito menos só a Leopoldina. Reclama-se muito da criminalidade, mas aqui não é uma ilha. Copacabana também não.

É preciso debater modelos de cidade que superem os modelos atuais. Bonsucesso e nenhum outro bairro têm que pagar a conta. A periferia não é o problema. A Leopoldina não é perigosa. E nada deve parecer impossível de mudar.

Patrick Barbosa é colunista do Pauta, e ficou fascinado pelo movimento Se a Cidade Fosse Nossa.

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

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