Crônica – É um pássaro? Um avião? Não. É a Supervia Train System.

Eram 7:40h (horário de Brasília). Eu tinha a impossível missão de chegar ao centro do Rio antes às 8:30h. Tudo bem que milagres existem e no trânsito da Avenida Brasil isso pode acontecer, mas não hoje. Na manhã dessa sexta-feira (01), taxistas protestaram em vários pontos da cidade contra o Uber. Hoje tinha tudo para ser mais um dia em que chego no trabalho dando boa tarde.

O que é isso? É um pássaro? Um avião? Não. É a Supervia Train System. Pode não ter boa credibilidade, mas é recorde de bilheteria. Mesmo com o aumento da passagem. Sem opção, resolvi embarcar nessa aventura mais dramática que ‘A Culpa é das Estrelas’.

Em pouquíssimos minutos de espera, o trem chegou à plataforma. Aviso aos navegantes: existe vagão destinado a mulheres. E você (homem) não pode entrar. Elas não querem viajar em ‘50 Tons de Cinza’. É lei, e é preciso respeitar. Embarquei no vagão comum e encontrei um lugar.

Em pé. Mas, confortável. Havia espaço suficiente para trocar a posição dos pés. Outra dica valiosa é ocupar o meio do vagão e evitar ficar próximo às portas. Em estações com grande fluxo de pessoas, há sempre um acúmulo maior de pessoas nesses locais e espaços vazios no meio do vagão. É por isso que muitos têm impressões diferentes em uma mesma viagem.

É claro, haverá dias em que alguma composição irá atrasar, devido às fortes chuvas, protestos, etc., e você encontrará vagões super lotados. Mas, se seguir às dicas aqui apresentadas se sairá bem. Em horários de ‘rush’, os trens passam com intervalos menores que cinco minutos. É possível esperar uma composição menos lotada.

Fui de Bonsucesso até a Central do Brasil em menos de 40 minutos. Eu havia me esquecido como morava tão perto da cidade. É possível também fazer a integração com o metrô (os valores constam nos sites da Supervia e MetrôRio). Em São Paulo, a integração do trem com o metrô é gratuita, nem precisa sair pela roleta – apenas fazer a baldeação entre as estações.

No Metrô da Central encontrei mais pessoas. Talvez pela manifestação dos taxistas. Esperei outro vagão chegar e novamente ocupei o meio. Cheguei ao trabalho às 08:20h. Mais rápido que isso, só de helicóptero: 2 minutos. Diferente do ônibus, que me deixa no trabalho depois das 09h. Além disso, cheguei com frio. O ar-condicionado é potente e raramente não dá vazão. Em dias frios, é preciso usar agasalhos.

Nunca fui fã do trem porque as poucas vezes que utilizei, fui empurrado, passei calor, ou esperei demais ele chegar. E isso um dia ou outro com certeza irá acontecer com você. Mas é do jogo. Você também ouvirá muito que a culpa é dos governantes e depois que descer esquecerá de cobrá-los. Mas, para você que tem horário e não tem um helicóptero, o trem é uma boa opção. Precisa melhorar muito, mas, ainda assim é uma boa opção.

 

P.S. – Nunca esqueça o uso do desodorante, agradecemos sua compreensão.

 

Patrick Barbosa é jornalista, colunista do Pauta, e trocou o transporte rodoviário pelo ferroviário.

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

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