OPINIÃO – Ele está de volta.

rodape

OPINIÃO, MAI. 17, 2016

 

Em tempos conservadores, o nacionalismo entra em voga. Ele que já serviu para recuperar a autoestima de um povo derrotado numa guerra e abalado por uma hiperinflação, reaparece em crises como essa. O problema é que nunca vem sozinho; precisa sempre de um bode expiatório. No caso alemão, o antissemitismo foi responsável pela morte de aproximadamente sete milhões de judeus.

Uma adaptação cinematográfica do romance satírico do escritor alemão Timur Vermes (Ele Está De Volta), capturou cenas reais da simpatia dos alemães pelo ator que encena Adolf Hitler nas gravações da trama. O filme alerta para o perigo do populismo de direita, trabalhando com temas atuais como a questão dos refugiados.

Aqui cabe um pequeno parêntese para lembrar que nacionalismo e patriotismo divergem em alguns aspectos. No nacionalismo uma nação se sobrepõe as outras. No patriotismo o sentimento de devoção à pátria é comum entre os cidadãos.

No Brasil, o nacionalismo de Getúlio Vargas (que em muito se inspirou no fascismo italiano) foi responsável por implantar uma ditadura de partido único, cassar direitos políticos e perseguir imigrantes. Grávida de sete meses, Olga Benário Prestes foi deportada para a Alemanha e entregue ao governo de Hitler para ser morta numa câmara de gás.

Os governos nacionalistas necessitam de um bode expiatório porque para chegar ao poder, precisam esconder a verdadeira causa das crises: a má gestão da coisa pública. Eleger um culpado cria laços mais fortes entre iguais do que reconhecer os erros e pedir desculpas.

Não há razões lógicas e cognitivas para defender tais movimentos; afinal, eles partem da premissa do ódio. E o ódio é fruto da ignorância por aquilo que não conhecemos ou nos é estranho. Por isso a necessidade de um líder carismático; porque o discurso é sentimento e não fatos.

No discurso feito na Praça das Nações, um dos ativistas do movimento Foro do Brasil e do Rio de Janeiro denegriu a ideologia de gênero (crença segundo a qual os dois sexos — masculino e feminino — são considerados construções culturais e sociais). É legítimo que todos tenham liberdade de expressão dentro dos limites da lei. Mas também se faz necessário a inclusão do debate de gênero nas escolas para combater a discriminação.

Nos minutos que estive presente, observei algumas incoerências. Apoiaram o governo do Obama ignorando a simpatia do ‘Ivy League boy’ pelo Lula. Alertaram para uma ameaça comunista ignorando o fim da URSS. São contra a legalização das drogas. No entanto, o próprio Beltrame reconhece que isso é responsabilidade da saúde pública e não da corporação.

Inspirados nas manifestações de junho de 2013, eles desejam novamente unir a população. Falam em cleptocracia. Termo que designa um Estado governado por ladrões. O único equívoco é atribuir a criminalidade exclusivamente ao PT. O movimento se diz apartidário. Mas como todo movimento nacionalista, precisam eleger um culpado.

 

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

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