PARQUE ARY BARROSO: Uma chácara, um Lobo Júnior, um parque.

Amigos leitores! Antes de escrever sobre Bonsucesso decidi fazer uma belíssima surpresa para todos: um artigo pronto há algum tempo que gostaria de mostrar a todos, fruto de uma pesquisa profunda e bem feita.

Depois de várias reuniões durante a noite, conversas no Whatsapp, debates, tiros e bombas, decidi mostrar nessa segunda publicação uma parte do processo que ocorreu para transformar uma chácara num dos parques mais conhecidos do subúrbio carioca, o Parque Ary Barroso.

Vamos todos através dessa leitura viajar no tempo e conhecer uma Penha ainda em desenvolvimento, mas que já abrigava pessoas importantes e acontecimentos ímpares… Com o passar do tempo, a chácara foi vendida; no terreno existiu escola, reservatório e nos dias de hoje, um parque mal cuidado e abandonado.

 

Uma chácara, um Lobo Júnior, um parque.

 

 

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Casa de Francisco Lobo Júnior na chácara. (Foto: Revista da Semana, 1909)

A história do parque começa exatamente no longínquo ano de 1868 em Portugal, quando nasceu o homem responsável de colocar no mundo o grande nome das terras da Penha: Francisco Lobo Junior. Ainda não existem muitos registros ou trabalhos historiográficos sobre a chegada da família em terras brasileiras, mas sabemos que assim que a família chegou aqui adquiriu uma boa parte do antigo arraial da Penha. Mas como escrevi acima, o que faria a diferença para o crescimento do bairro seria o seu filho, José Francisco Lobo Junior.

Vamos imaginar aquela região do parque Ary barroso um grande arraial, ou se preferir uma grande fazenda, com várias cabeças de boi e plantações; dentro havia construções que serviam de morada para toda a família, inclusive uma pequena capela particular. Na descida, uma estrada (conhecida como estrada do Portinho – atual Lobo Junior), que levava direto à praia da Moreninha.

O nome do local era Chácara das Palmeiras e ficava exatamente onde é o parque, encostado ao Morro da Caixa D’água, antes chamado Serra da Misericórdia. Uma boa parte da Penha e Penha Circular pertenciam a esse arraial. Deveria ser um lugar muito bonito, não? Mas vamos continuar nossa viagem.

Lobo Júnior era um nome muito influente tanto na parte política, quanto na parte religiosa; era um empreendedor. Uma grande demonstração de sua influência perante todas as esferas da sociedade foi a criação de uma pequena estação de trem, chamada parada Lobo Júnior, que mais para frente foi derrubada e no local colocada uma linha circular (1930), que se destinava a permitir o retorno dos trens do subúrbio que vinham da estação Barão de Mauá, que num momento mais a frente se tornaria a estação Penha circular.

Mas sua Influência não se limitava apenas a isso, Lobo Júnior conseguiu água, luz e pavimentação para a Avenida Brás de Pina. Ele também construiu várias casas no inicio do bairro, doando ou vendendo parte de suas terras. Podemos citar aqui dois exemplos de áreas doadas que hoje uns conhecem até de mais, enquanto outros mal sabem que ela existe.

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Reservatório da Penha. (Foto: Jornal PenhaRJ)

O terreno onde fica o Reservatório da Penha foi desmembrado da Chácara das Palmeiras no dia 08/08/1911. Lobo Júnior trouxe água não penas para a Penha; esse reservatório abasteceu Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Brás de Pina, Cordovil e Vigário Geral.

O reservatório foi inaugurado em 1914 e era considerado um verdadeiro marco da engenharia e inovação, pois usou uma técnica nova, o concreto armado. Ele era totalmente descoberto, tinha forma tronco-cônica, dividido em dois compartimentos. Ao centro um grande poço cilíndrico com aparelhos de manobra com capacidade de 2.000 metros cúbicos d’água.

O reservatório está na serra da misericórdia (hoje Morro da Caixa D’água), e ocupa uma área de 2.449 metros quadrados. Foi desativado no final dos anos 80. Outra parte do terreno da chácara foi cedida para a construção do hospital Getúlio Vargas. Cedido por Lobo Júnior, o hospital demorou a ser construído. Foi inaugurado no dia 3 de dezembro de 1936 no governo do prefeito do distrito federal Pedro Ernesto (1935-1936).

Voltando para a antiga chácara, como eu escrevi antes, dentro do terreno além de existir construções para morada do Coronel e família, existia a capela particular de Lobo Júnior, a capela de Santo Antônio e Bom Jesus do Monte. Era pequena e mais muito usada pela família para comemorações e até velórios. Na época sempre saíam reportagens em jornais de grande circulação sobre acontecimentos a serem realizados dentro da capela e nas dependências.

capena bom jesus do monte e santo antonio de lisboa revista da semana ano 1909
Capela de Santo Antônio e Bom Jesus do Monte. (Foto: Revista da Semana, 1909)

Chegou a sair no jornal um pedido de Lobo Júnior para que se colocasse o capelão de seu desejo para celebrar as missas na capela (jornal ‘A União’ em 13 junho de 1906). O ‘Jornal do Brasil’ do dia 20 de junho de 1905, registrou os festejos em comemoração ao dia de Santo Antônio com missa e sermão do Vigário da Penha, Padre Tomel. Essas festas aconteciam todos os anos como mostra o jornal ‘O Paiz’ do dia 23 de junho de 1907 que relata festas na parte interna e externa da capela particular de Lobo Júnior e avisa que haveria uma missa às 09h da manhã para encerrar os festejos.

Mas não era apenas a festa de Santo Antônio que fazia a pequena capela ficar lotada. No dia 22 de setembro de 1907, o jornal ‘Correio da manhã’ noticiava comemorações do dia de São Cosme e Damião e o proprietário da chácara abria suas portas para a realização da festa nos dias 27 e 28, com uma procissão que sairia da chácara comandada pelo Vigário de Irajá. A segurança seria feita pela brigada do 15º batalhão.

 

[…]

 

Estamos vendo que a chácara era um lugar bem movimentado, muitos festejos, mas quero apresentar outra surpresa para vocês, a Penha já teve um time amador de futebol campeão. Não acredita? Confira a continuação na próxima edição.

 

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3 comentários em “PARQUE ARY BARROSO: Uma chácara, um Lobo Júnior, um parque.

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