O que o maior inimigo político de Getúlio Vargas tem a ver com o Parque Ary Barroso na Penha?

Um dos personagens mais polêmicos da política brasileira e um dos articuladores da queda de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, foi governador do Estado da Guanabara e o responsável pela construção do Parque Ary Barroso.

 

Por:  Historiador Paulo JUL. 05, 2016

 

A CONSTRUÇÃO DO PARQUE

A ideia de construir um parque na antiga chácara nasceu com o então Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1960-1965), um grande administrador e maior inimigo político de Getúlio Vargas. Ele realizou grandes obras por toda a cidade; remoções de comunidades inteiras e criação de conjuntos habitacionais. O jornal Pessoal & Gramsci e o Brasil trouxeram em suas páginas uma declaração do governador dizendo que queria construir mais parques pela cidade, pois a mesma contava com poucos locais de diversão para a população.

O terreno de 50 mil metros quadrados onde seria construído o parque foi comprado por 20 milhões de cruzeiros junto ao Banco do Brasil que tinha leiloado o terreno de Hugo Borghi. Poucas pessoas sabem que no terreno funcionava a escola Mario Barreto, que quase toda semana estava sendo denunciada nos jornais pela sua precariedade nas instalações e sua falta de higiene. A escola foi fechada em 1963 e os alunos transferidos para a Rua Bento Cardozo, num local com apenas dez salas de aula.

As obras se iniciaram no ano de 1963 no mês de outubro, sendo de responsabilidade pela fiscalização do diretor de Parques da Guanabara, Fernando Chacel. As obras seguiram de forma acelerada, pois queriam mostrar a toda população que poderiam construir um parque dessa magnitude em tão pouco tempo. A obra deveria ser entregue em 1965.

A localização seria perfeita, pois estava do lado do hospital Getúlio Vargas e do recente viaduto construído João XXIII. O Valor estimado da obra foi de 150 milhões de cruzeiros. O projeto dividia o parque em três importantes áreas: áreas dos lagos e cascatas (que era abastecido pelo reservatório), área esportiva e área administrativa. Desde o começo o governo da Guanabara fiscalizou quase que diariamente as obras, tanto que o jornal Correio da Manhã na sexta feira do dia 10 de abril noticiou que o chefe do poder executivo iria pessoalmente vistoriar as obras do conjunto recreativo da Leopoldina.

O Rio de Janeiro contava apenas com cinco grandes lugares de lazer para a população. Detalhe: nenhum no subúrbio carioca. O único lugar em que a população mais pobre podia desfrutar de um domingo de lazer era a princesinha da Leopoldina, a Praia de Ramos. Os parques eram: Quinta da Boa Vista, Campo de Santana, Parque Viveiro de Vila Isabel, Parque Guinle e Parque da Cidade.

A construção do parque ficou de responsabilidade do arquiteto Pedro Paulino Guimarães, que pregou o projeto elaborado pela equipe de estudos e Projetos do Departamento de Parques, colocando seus toques pessoais e organizando todo o projeto. O terreno foi um verdadeiro desafio, era um terreno rochoso; rocha essa de granito. A vegetação apesar de pequena era bastante espessa. Ela foi cuidada devidamente e complementada com uma massa de espécies arbóreas de floração rica e viva. Mais de trezentas espécies de vegetação entre plantas e árvores foram trazidas e plantadas. É importante citar que só de árvores existiam 130 espécies.

Quaresmeiras roxas e rosas, ipês roxos, amarelos e brancos, mulungus, espatódeas, flamboyants vermelhos, cássias amarelas e roxas. Árvores que medem de 3 a 5 metros de altura, vindas de São Paulo, chácaras particulares, viveiros da Prefeitura e muitas outras que foram reutilizadas de áreas atingidas por obras e demolições. Algumas mangueiras plantadas no parque foram retiradas da área onde foi construído o viaduto da Penha João XXIII.

As cascatas artificiais eram movimentadas por bombas que forneciam uma lâmina de água de 10 cm de altura por uma extensão de 3 metros. A água era bombeada da casa de bombas para a nascente, descendo em cachoeira sobre os dois lagos e era recolhida novamente para ser bombeada. Sendo assim, a mesma água, sem haver desperdícios. Também há registros que a água do reservatório foi usada algumas vezes para abastecer o lago.

A área de esportes tinha 3 quadras (futebol e basquete) com arquibancadas e um vestiário, área esta que pertencia a sede do Portinho F.C. A região administrativa da Penha era a responsável de abrir e fechar os portões da obra. O local era policiado por quatro guardas que se revezavam (naquela época a violência não era tanta) e foram usados 36 trabalhadores nas obras.

A administração do parque funcionava junto aos vestiários e sua principal função era evitar novas construções que poderiam de alguma forma interferir no tratamento paisagístico. Por isso o parque não teria bancos e as pessoas teriam que aproveitar as muretas de concreto. Segundo o secretário de obras públicas, uma das maiores preocupações dos arquitetos, era a beleza com que ficaria o parque.

A notícia se espalha, a imprensa escrita e falada comenta o grande dia, rádio Tupi, Diário de Noticias e Jornal do Brasil escrevem sobre a grande inauguração Parque Ary Barroso, parque este que custou um total de CR$ 220.000.000,00 (que recebeu esse nome devido ao grande compositor que morreu em 1964, e era grande frequentador da festa da Penha).

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Vinil Ary Barroso. (Foto: Internet)

Ao mesmo tempo outros parques eram inaugurados pela cidade, no dia 26 de setembro de 1965, às 15h, os portões eram abertos, com uma grande festa com a participação dos alunos da Escola Normal da Penha, onde cantaram um hino inédito escrito pelo mestre Ary Barroso. O nome do hino era: Rio anos 400 (em 1965 a cidade estava completando 400 anos).

 

O parque foi o primeiro e grande parque do subúrbio que iria beneficiar toda a região da Leopoldina, pois todos teriam acesso ao parque. Antes a maioria se dirigia ao Parque da quinta da Boa Vista. Houve até um aumento considerável de linhas de ônibus para poder levar aqueles que desejavam visitar o parque e, além disso, estava ocorrendo o processo do fim definitivo dos bondes.

 

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