Entenda como aconteceu a degradação do Parque Ary Barroso

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Por: Historiador Paulo, JUL. 12, 2016

 

Em janeiro de 1969, é anunciada a construção da primeira piscina pública no interior do Parque Ary Barroso. Em março, esta ideia foi descartada, pois, para que o projeto fosse realmente para frente, teriam que retirar as quadras de esporte. Começa então um desleixo com o parque. Pouco tempo depois de sua inauguração o processo de degradação do parque teve seu início, com momentos de melhoras, mas que por culpa de governo e da população, culminou no abandono.

O órgão que tomava conta do parque, a Superintendência de Urbanização e Saneamento (SURSAN) foi extinta no início dos anos 70, e nenhum outro órgão assumiu a administração do parque, passando a ficar totalmente abandonado, entregue a própria sorte.

Apenas em 1972 foi criado outro departamento para cuidar dos parques e jardins. Agora, imaginem um parque que tinha a média de mil pessoas visitando todos os domingos e ficava sem o cuidado necessário? A cidade do Rio de Janeiro passou por várias crises hídricas em sua história, uma desses anos foi no de 1974, quando a cidade enfrentou uma escassez de água, com reservatórios em baixa, e a Penha e o Parque sofrendo com isso.

Como a água que já era pouca não chegava ao alto dos morros em volta do parque, os moradores desciam para tomar banho e lavar suas roupas no parque, usando o lago para realizar isso; lembramos que isso era proibido, mas eram muitas pessoas ao mesmo tempo, não tendo como controlar.

Em 1979 mesmo com várias atrações, como campeonato de pipas, colônias de férias e circo dentro do terreno, o parque estava enfrentando o abandono do governo público, além das instalações se deteriorando e tornando-se obsoletas. A segurança já não era motivos para elogios e a água já não era limpa e tampouco boa para usar em brincadeiras.

Nos anos 80, começa uma reação em cadeia onde todos os parques da cidade são abandonados e toda a natureza cuidada durante anos começa a desaparecer, junto com elas, seus frequentadores. Nessa mesma época começou a ter o registro dos primeiros casos de assalto a populares. Como não existia mais segurança e o parque foi abandonado, estupros e assaltos eram constantes, e usuários de drogas invadiam o terreno… A cada dia que passava o número de frequentadores ia diminuindo.

Em 1984 funcionou com menos da metade dos funcionários (13 de 28), mas estava bem cuidado. Frequentadores só reclamavam das sujeiras geradas por religiosos que enchiam o parque em seus rituais. O encarregado, na época, reclamava das pessoas que invadiam o parque à noite, pois, os muros não haviam sido totalmente construídos.

Em 1992 o parque passou pela sua última grande reforma, o que trouxe um pouco de dignidade, tanto que Dorinha fazia alguns shows no local, interpretando canções de Ary Barroso. Voltou a ter programação voltada para a população, como aulas de capoeira e aulas de tai chi chuan, mas isso não durou muito tempo.

Reportagens recentes mostram como um parque tão lindo em seu começo chegou a esse estágio de completo abandono, mesmo depois da inauguração da Arena Dicró e a implantação da base do exército, depois da UPP e da UPA ao lado. O parque jamais voltou a ser aquele orgulho da Penha; nos dias de hoje praticamente ninguém visita o local, exceto usuários de drogas e criminosos.

Todos têm medo de ir para o lado do antigo lago e da cascata; o parque infelizmente acabou, e como suburbanos que amam nosso querido bairro e nosso parque, deveríamos olhar com carinho para esse monumento histórico, esse monumento que conta um pouco da história não apenas da Penha, mas de todo Rio de janeiro.

 

Algumas fotos do parque:

ary 1
ary 2
ary 3

 

P.S.

Carlos Lacerda assinou o decreto definindo o nome do parque em 13 de fevereiro de 1964:
“O parque em construção na Penha, entre as ruas Flora Lobo e Lobo Junior e a Avenida Brás de Pina, em frente ao Hospital Getúlio Vargas e Viaduto João XXIII, passa ter a denominação Oficial de Ary Barroso” (Diário Carioca – Edição: 11015/pág.6).

 

Curiosidades:

Um fato curioso é a história da cadela Bocanegra. A bichinha foi abandonada ainda no início das obras do parque e foi rapidamente adotada pelos funcionários da obra.

Durante o dia ficava ao lado dos trabalhadores, a noite ajudava na segurança do parque. Mesmo depois das obras terem acabado e o parque aberto, Bocanegra adotou o lugar como seu eterno lar.

Ficava descansando nas sombras das árvores e bebia água no lago. Bocanegra não estava sozinha não, em meio às arvores existia dois macacos que infernizavam os frequentadores do parque, fora que no lago existiam peixes dourados, saracuras, gansos, jacus e pavões, era um verdadeiro paraíso no subúrbio.

As famílias se reunião todos os dias, mas principalmente nos finais de semana. O Parque ficava aberto em horário comercial e fechado durante a noite.

 

Webgrafia:

www.facebook.com/suburbio
www.memoria.bn.br
www.rio.rj.gov.br
www.multirio.com.br
www.cedae.com.br

 

Bibliografia:

Instituto estadual de cultura;
Freire, Américo: Guerra de posições na metrópole: a prefeitura e as empresas de ônibus no Rio de Janeiro (1906-1948). 1. Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001
Fraiha, Silvia: Ramos, Olaria e Penha 1.Ed. Rio de Janeiro: Editora: Fraiha
Letiere, Robson: Rio Bairros. 2.E.d- Editora própria.2015

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