Ramos: sem áreas de lazer, calçadas, árvores – em função dos Jogos Olímpicos.

A Zona da Leopoldina foi tratada como uma área de passagem entre o Galeão e Barra.

 

Por: Hugo Costa, JUL. 18, 2016

A Obra Olímpica já inaugurada há dois anos, o BRT TransCarioca deixou um rastro de destruição e abandono no tradicional bairro de Ramos na Zona da Leopoldina. Este corredor viário de ônibus considerado essencial para receber os turistas vindos do Aeroporto Galeão para a Copa 2014 e para as Olimpíadas Rio 2016 acabou, em sua construção, ignorando o Relatório Ambiental Simplificado para sua implantação em cima da hora. Agora moradores questionam: Olimpíadas para quem?

IMPACTO AMBIENTAL

A região de Ramos é uma das mais atingidas pela Ilha de Calor que avassala a Zona Norte do Rio, e registrou uma grande perda de cobertura vegetal em suas ruas – árvores foram cortadas para a implantação do BRT TransCarioca.

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Foto reprodução.

As poucas praças também arborizadas que existiam antes das obras do “Legado Olímpico” foram originalmente diagnosticadas como insuficientes pela própria Prefeitura do Rio, através do Relatório Ambiental Simplificado do BRT TransCarioca (RAS).

Mas a Prefeitura do Rio não teve atenção a este item do Relatório e conseguiu, com o trajeto do BRT, eliminar também as poucas áreas de esporte e lazer públicos da região, destruindo quatro praças do bairro e deixando toda uma região da Cidade Olímpica sem opções de áreas verdes, lazer e esporte, contrário a tudo que uma Olimpíada moderna deveria se propor a prover para cidade que a sedia.

OBRA NÃO CONCLUÍDA

As vias do entorno não receberam melhorias, e em alguns casos, foram simplesmente abandonadas. A mobilidade na região foi comprometida pela obra e a reconstrução ignorada.

“Já não tínhamos áreas públicas de lazer e o pouco que tínhamos foi destruído, nada foi reposto ou compensado. Um bairro, como Ramos, com uma enorme área residencial como a nossa, deveria contar com uma grande área de lazer, mas agora, nem sequer pracinhas têm e as crianças brincam nas calhas do BRT correndo risco de morte”. Disse Vanio Korrea, morador de Ramos há 40 anos.

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Foto reprodução.

Com poucas semanas para as Olimpíadas, esta situação se mantém e os moradores de Ramos se vêem bem distantes do prometido Legado Olímpico do Rio, da declarada “Cidade Olímpica”.

Hugo Costa tem 41 anos, é geógrafo pela UFF, morador de Ramos e disponibilizou seu texto para o jornal Pauta Popular.

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