Projeto memória: Bonsucesso já teve uma praia.

A EQUIPE DO JORNAL PAUTA POPULAR TEVE ACESSO EM UMA DE SUAS PESQUISAS A DOCUMENTOS E ENTREVISTAS QUE CONTAM A HISTÓRIA DE BONSUCESSO. FATOS AINDA INÉDITOS, QUE SE MANTÉM APENAS NA MEMÓRIA DO COLETIVO SOCIAL.

No decorrer desta terça-feira (02), o Pauta irá publicar trechos de uma reportagem que revela e esclarece pontos fundamentais na história do bairro.

Confira abaixo o segundo capítulo.


“Praia de Bonsucesso

 – Até 1917, Bonsucesso se resumia à praia, ligada a Estrada de Ferro Leopoldina pela estrada do Porto de Inhaúma, atual Avenida Maxwell. O local pertencia à Freguesia de Inhaúma. Aqui, no centro urbano, existiam vastos terrenos baldios.

 A praia sempre foi muito frequentada. Vários médicos aconselhavam o banho, pois, diziam, nas águas lodosas havia muito iodo. Vinha gente de longe para se banhar nas águas virtuosas de Bonsucesso, relembra o Comendador. Depois, surgiram as favelas sobre estacas e a praia acabou.

 As ruas

 Por muitos anos, Bonsucesso foi apenas uma parada da Estrada de Ferro Leopoldina, onde o trem só parava se o passageiro fizesse sinal. À noite, quem queria viajar tinha que acender um fósforo ou uma luzinha para que o maquinista detivesse a locomotiva. Quando vim morar aqui, em 23 já havia a estação. A viagem de ida e volta, da Barão de Mauá a Bonsucesso, custava 300 réis.

– Além do trem, havia o bonde, que saia do Largo de São Francisco, de 15 em 15 minutos para chegar aqui. A passagem custava 300 réis e o bonde ia até onde hoje é a Escola Técnica de Comércio Santa Cruz, na Rua Uranos. De lá até a minha casa, eu vinha a pé.

 – No início, poucas eram as ruas e avenidas. Uma delas, a Estrada do Norte, depois foi chamada Rua Teixeira de Castro em homenagem ao médico José Teixeira de Castro Júnior. Ele era adorado pela população. Andava sempre a pé, subia os morros para atender os doentes e ainda dava dinheiro para que comprassem remédios. Quando morreu, teve o maior enterro da história de Bonsucesso.

 – Outra grande via de acesso era a Estrada Nossa Senhora da Penha – continuou. Começava na Avenida Suburbana, onde hoje é a Avenida dos Democráticos, atravessava a estrada de Ferro, recebendo, em seguida, a denominação de Rua Cardoso de Morais e se prolongava pela atua Leopoldina Rêgo.

 – Ligando a estação à praia, havia a Estrada do Porto de Inhaúma, por onde D. Pedro II passava sempre que vinha em romaria à igreja da Penha. O Imperador desembarcava de seu escaler, na praia de Inhaúma. Quando, em 1936, a estrada recebeu o nome de Guilherme Maxwell, O GLOBO publicou a notícia, recorda-se o Sr. Sinibaldo Macillo.

 – As grandes avenidas e ruas de Bonsucesso, conta, foram planejadas. A Avenida Paris tem 800 metros de cumprimento por 10 de largura e as outras cerca de 700 por 8 metros.

 Avenida Brasil

 – Bonsucesso se desenvolveu rapidamente. Mas faltava uma via de acesso ao centro. Era preciso diminuir o percurso e evitar o problema da Estrada de Ferro de Benfica, que impediam a passagem dos bondes e deixavam o bairro quase isolado, nos dias de chuva.

 – Em 1933, nós, os moradores, nos reunimos para oferecer uma peixada ao então interventor Pedro Ernesto, no Porto de Inhaúma. Em nome de todos, eu lhe pedi que construísse uma estrada, a meio caminho do Porto de Inhaúma e da Estrada de Ferro Leopoldina.

 – Os estudos foram entregues ao engenheiro Carlos Soares Pereira, diretor de Obras Novas do Departamento de Viação e Obras. E, seguindo o traçado que eu havia feito no pedaço de papel emprestado pelo repórter do “A Noite”, surgiu a Avenida Brasil – disse. A construção começou em 1940, no Governo do Prefeito Henrique Dodsworth. A princípio, ia do Gasômetro até Parada de Lucas. Os últimos trechos só ficaram prontos na época do Prefeito Mendes de Morais, por volta de 1948.

 – Para se construir a Avenida, foi preciso aterrar a região de Manguinhos, que era um pantanal. Depois de pronta, já teve que ser consertada duas ou três vezes porque o terreno cede, com o tempo.

 – A avenida Brasil sempre foi palco de muitos desastres. Diariamente, duas ou três pessoas morriam atropeladas ou em batidas de carro. Com os anos, isto melhorou. Hoje, nem de longe há o número de vítimas dos primeiros tempos”.

 

Continua…

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